๐๐ฅ๐ฆ๐จ๐ฎ๐ซ๐จ๐ฅ à ๐๐ข๐ฌ๐ญ๐
A 17.ª edição voltou a confirmar isso.
E sim, já lá vão três presenças.
Mas a verdade é outra: já não venho só pela prova. Venho pelo conjunto.

Vila Nova da Barquinha não é só um destino.
É daqueles sítios onde o cenário entra contigo no percurso e fica.

Chegar na véspera faz parte da forma como encaro estas provas. Não é logística. É criar espaço.
Tempo para preparar tudo com calma, rever detalhes.
Mas também para desligar um pouco e chegar ao dia seguinte com a cabeça no sítio certo. Jantar tranquilo, boa companhia.
Às vezes, é isso que faz mais diferença do que parece.

Dia de Corrida - 26 de abril

No dia da prova, a história muda.
Na linha de partida, sente-se isso.
Muita gente, energia alta… mas cada um concentrado no seu espaço.
O arranque é forte, como é normal, e rapidamente o grupo começa a partir.
A corrida fica mais “limpa” e é aí que se percebe que o dia vai exigir cabeça.
Aqui não é sobre arrancar mais forte.
É sobre entrar no ritmo certo.

Controlar, perceber o terreno e deixar a prova acontecer.
A partir daí, deixa de ser confusão… e passa a ser decisão.
Cada movimento conta.
Cada escolha paga-se mais à frente.
E, nestes momentos, não é só força. É cabeça.

A partir daqui, o percurso começa a mostrar o que vem por aí...
Trilhos técnicos, zonas mais fechadas, com aquela sensação constante de que não dá para relaxar muito tempo.
O ritmo mantém-se alto, mas já não é só andar.
É escolher bem por onde passar, arriscar no momento certo e saber quando segurar.
Quem facilita, perde.

E depois há o lado menos visível, mas igualmente importante.
Transições, ligações por estrada, pontos de controlo… tudo pensado para que a prova flua com segurança, mesmo fora do trilho.
Nem tudo é trilho.
Há momentos em que a prova te tira do teu terreno e obriga-te a adaptar.
Estrada, cruzamentos, pequenas quebras de ritmo… é aí que muitos se perdem.
Aqui nota-se que houve preocupação com esses detalhes.
E isso sente-se durante a prova.
Com o calor a apertar, a corrida muda completamente.

Chegou o calor.
Não o calor que desconforta. O calor que decide. O ritmo mantinha-se, mas o corpo começou a dar sinais claros: ou geres agora, ou rebentas mais à frente.
Nesse momento, a corrida mudou completamente de natureza. Deixou de ser sobre andar rápido. Passou a ser sobre não cometer erros.
Gerir a hidratação, controlar o esforço, não ceder à tentação de forçar quando o corpo já estava no limite. Cada ponto de abastecimento deixou de ser uma paragem. Passou a fazer parte da estratégia.
Beber, ajustar, sair sem perder tempo. Porque, quando o desgaste acumula, cada segundo tem peso.

No final, 4.º lugar.
Mais do que a posição, fica a forma como a corrida foi feita. Controlada, consistente, sem grandes quebras, sempre dentro do limite. E, nestes percursos, isso vale muito.
Porque aqui não ganha só quem anda mais. Ganha quem erra menos.

Se continuo a voltar a Almourol, não é por acaso.

Há um detalhe que faz a diferença: o trabalho do Grupo Cicloturismo Barquinhense.
Trilhos limpos, percursos bem pensados, zonas técnicas no sítio certo. Uma atenção aos pormenores que se sente do início ao fim. Não é só montar uma prova. É saber recebê-la.
E isso não se encontra em todo o lado.
Não é só montar uma prova. É saber recebê-la.
E isso não se encontra em todo o lado.
Há provas que fazes. E há outras que te fazem voltar.
Esta é uma delas. ๐



