Mini TRIChallenge Kids e TRIChallenge 2026 | Há experiências que não terminam quando se cruza a meta.

πÁ ππππÓππππ πππ πππππππ πππ ππππππππ πππ πππππ.
Passaram-se semanas desde o TRICHALLENGE Águeda 2026 e continuo a receber mensagens, fotografias e a ouvir a mesma pergunta:
"Então... quando é que sai o artigo?"
A verdade é que nunca tive pressa.
Porque este fim de semana merecia ser contado com calma.
Quando aceitei o convite do Henrique para participar, pensei que ia conhecer um evento diferente.
Não imaginava que ia encontrar muito mais do que isso.
Ao longo dos anos fomos criando uma amizade assente no respeito e na confiança. O Henrique nunca desistiu de me desafiar a participar no TRICHALLENGE. Eu fui adiando... até que este ano já não tive como escapar.
Hoje até lhe agradeço por isso.
Sem ele saber, não me estava apenas a convencer a participar num evento. Estava a criar um fim de semana que dificilmente vou esquecer.
Naquele fim de semana não conheci apenas melhor o evento.
Conheci pessoas extraordinárias.
Fortaleci amizades.
Criei outras que não esperava.
E percebi porque é que tanta gente regressa a Águeda todos os anos.
Esta é a história desse fim de semana.

πÁ πππππππ ππππ πππ ππππππππ ππ ππππ.
Há pessoas que organizam eventos.
E há pessoas que conseguem criar experiências.
O Henrique Resende pertence claramente ao segundo grupo.
Conhecemo-nos há vários anos. Ao longo desse tempo, foi desafiando-me, ano após ano, para participar no TRICHALLENGE.
A resposta era quase sempre a mesma.
"Um dia..."
Esse dia chegou em 2026.
E hoje posso dizer que valeu cada minuto.
Ainda antes da primeira partida, já sentíamos que aquele não era apenas mais um evento.
Era impossível não reparar na dedicação de toda a equipa.
O Henrique, a Mariza e todos os voluntários recebiam cada participante com um sorriso, uma palavra e uma disponibilidade que nem sempre se encontra em organizações desta dimensão.

Eu, a Sofia e o Santiago fomos recebidos como amigos da casa.
E isso faz toda a diferença.
Ao longo dos anos tenho tido o privilégio de conhecer muitas organizações e muitos municípios.
Poucos conseguem criar um ambiente onde participantes, voluntários, famílias e organização parecem fazer todos parte da mesma equipa.
Em Águeda sente-se exatamente isso.
E talvez por isso, ainda antes de começar a aventura, já tinha a sensação de que aquele fim de semana ia ser especial.
As partidas aconteceram num dos locais mais emblemáticos da cidade.
A rua dos guarda-chuvas.

Um cenário que, por si só, já faz parte da identidade de Águeda e que dá ainda mais cor ao ambiente do evento.
Entre entrevistas, conversas, reencontros e muitas fotografias, a ansiedade ia crescendo.

Primeiro seria a aventura com o Santiago.
No dia seguinte, esperava-me outra completamente diferente.
E aí entrava em cena uma pessoa que, até esse momento, eu praticamente não conhecia.
Chamava-se Filipe Fininho.
O Henrique não escolheu apenas uma dupla. Acabou por juntar dois tipos que, em poucas horas, passaram de desconhecidos a amigos. Estava, sem saber, a apresentar-me um amigo.
π ππππππ π ππππ ππ ππππÇππ.

Há desafios que fazemos por nós.
E há outros que fazemos porque queremos criar memórias com quem mais gostamos.
O Mini TRICHALLENGE Kids foi exatamente isso.
Quando o Henrique me falou desta iniciativa, percebi logo que não era apenas uma prova para crianças. Era uma oportunidade para pais e filhos viverem uma aventura lado a lado.
Não precisei insistir muito com o Santiago.
Bastou perguntar.
A resposta foi imediata.
"Vamos." Na cabeça dele, só queria a canoa.
Foi a primeira vez que partilhámos um desafio deste género.

Não importava o tempo.
Não importava a classificação.
Importava apenas chegarmos juntos ao fim.
E foi exatamente isso que fizemos.
A bicicleta trouxe os primeiros sorrisos.
Na canoagem apareceu a curiosidade de experimentar algo completamente novo.
Depois veio o trail.

E foi aí que o meu lado de pai falou mais alto.
Houve momentos em que percebi o cansaço dele.
Como qualquer pai, pensei se não estaria a exigir demasiado.
Mas sempre que olhava, via exatamente o contrário.
Via vontade.
Via coragem.
Via aquele brilho nos olhos de quem só queria continuar.
Foi então que ouvi uma frase que dificilmente vou esquecer.
"Pai... eu só não quero desistir."
Não respondi logo.
Sorri.
Porque, naquele instante, percebi que aquela já não era uma prova.
"Estávamos simplesmente a viver uma lição de vida."
Disse-lhe que não estávamos ali por medalhas.
Nem por classificações.
Estávamos ali para terminar a aventura juntos.
E foi isso que aconteceu.
Quando cruzamos a meta, percebi que, independentemente do resultado, aquele já era um dos momentos mais especiais que vivi no desporto.

Poucos minutos depois já estava novamente a correr, a brincar e a sorrir.
As crianças têm esta capacidade incrível.
Dão tudo.
Recuperam.
E seguem em frente.
Nós, adultos, complicamos muito mais.
Nesse dia, acho que fui eu quem mais aprendeu.
No final, percebi outra coisa.
O Henrique não me tinha convidado apenas para participar num evento.
Tinha proporcionado uma memória que um pai e um filho vão guardar para a vida.
E, sinceramente...

Não podia existir melhor aquecimento para aquilo que me esperava no dia seguinte.
Porque no domingo... o Santiago deu lugar ao Filipe Fininho.
E a aventura estava apenas a começar.

π ππππππππ πππππ ππ πππππ... π ππ πππππ πÃπ πππππ. π
No sábado vivi uma das experiências mais bonitas que alguma vez partilhei com o Santiago.
No domingo... o cenário mudava completamente.
O Henrique tinha decidido que a minha dupla seria o Filipe Fininho.
A verdade é que mal nos conhecíamos.
Sabíamos quem éramos, cruzávamo-nos em provas, mas nunca tínhamos convivido nem partilhado uma aventura destas.
Hoje tenho a certeza de uma coisa.
Ainda hoje acredito que ele já desconfiava que aquilo ia dar histórias.
E deu...
Antes da partida já apareciam os primeiros comentários.
"Na bicicleta, deixa o Fininho para trás... depois esperas por ele."
Confesso que me ri.

Mas também respondi logo.
"Quem faz equipa comigo, chega comigo."
Era esse o espírito.
Não íamos ali provar nada a ninguém.
Íamos aproveitar a aventura.
E isso fez toda a diferença.
Quando arrancámos pelas ruas de Águeda, debaixo dos famosos guarda-chuvas coloridos, percebi rapidamente que aquele não ia ser um domingo normal.
Entre brincadeiras, boa disposição e muitas gargalhadas, fomos ganhando ritmo.
Sem grandes estratégias.
Sem pressão.
Apenas a desfrutar.
E, para surpresa de muitos, acabámos por ser a primeira dupla a chegar à zona de transição para a canoagem.

Nessa altura, ainda nos sentíamos uns verdadeiros campeões.
Mal sabíamos que a prova... estava prestes a começar.
Porque uma coisa é pedalar.
Outra, completamente diferente... é tentar remar em equipa sem nunca ter pegado numa pagaia.
E foi aí que começou o verdadeiro espetáculo...

π πππππ... πÃπ πππ ππππ πππππ ππ π πππππ. π£π
A bicicleta correu melhor do que esperávamos.
Chegamos à zona de transição na frente.
Até ali, tudo parecia simples.
O problema é que a bicicleta ficou para trás.
À nossa espera estava um caiaque.
Uma pagaia para cada um.

E... dois estreantes.
Foi nessa altura que percebemos que remar é muito mais difícil do que parece.
Nos primeiros metros, cada um remava para o lado que lhe parecia melhor.
O resultado?
O caiaque/canoa, nem o nome do barco sei, também decidiu seguir cada um desses lados.

Avançávamos.
Rodávamos.
Corrigíamos.
E repetíamos tudo outra vez.
Quem nos visse ao longe devia pensar que andávamos à procura de alguma coisa.
E, na verdade, até parecia.
Patos.
Galinhas-de-água.
Ou talvez simplesmente o caminho certo.

O mais curioso é que o rio era enorme.
Mesmo assim, conseguimos aquilo que parecia impossível.
Ir parar às árvores.

Não uma vez.
Mais do que uma.
Houve até uma altura em que demos uma volta completa sobre nós próprios.
Foi aí que percebemos que navegar em linha reta talvez fosse uma competência sobrevalorizada.
Entre gargalhadas e algumas tentativas de coordenação, lá fomos descobrindo que, quando os dois remavam ao mesmo tempo e para o mesmo lado... o caiaque também colaborava.
Quem assistia da margem divertia-se.
Nós, dentro da canoa... ainda mais.
O melhor de tudo é que, no meio daquela trapalhada, nunca deixou de existir boa disposição.
Não havia discussões.
Não havia culpa.

Havia apenas duas pessoas completamente fora da sua zona de conforto, a aproveitar cada segundo da experiência.
Depois começaram a aparecer as fotografias.
E foi aí que percebemos um pequeno problema.
Enquanto nós pensávamos que ninguém estava a ver aquelas figuras... os fotógrafos estavam a ver tudo.
E quando digo tudo... é mesmo tudo.

Desde as manobras dignas de um curso intensivo de "como não conduzir um caiaque" até às visitas inesperadas às margens do rio.
As provas ficaram registadas para a história.
E ainda bem.
Porque hoje olho para essas fotografias e rio-me exatamente como me ri naquele momento.
No fim, entre tantas remadas desencontradas, árvores, curvas improváveis e algumas demonstrações de talento duvidoso para a canoagem... há uma conclusão que ficou.

Nenhum de nós nasceu para ser campeão olímpico da modalidade.
Mas, se existisse uma medalha para quem mais se divertiu dentro de um caiaque.
Essa discussão já era bem mais equilibrada. Só que a aventura ainda estava longe de terminar.

O calor apertava.
As pernas começavam a dar sinais de vida.
E, pela frente, esperava-nos um trail onde a palavra "correr" começou rapidamente a ganhar um significado muito... relativo.

ππππππ ππππππ πÁ πÃπ πππ π ππππππππππ. ππ
Depois da bicicleta e da canoagem, ainda havia quem acreditasse que o mais difícil já tinha passado.
Nós também.
Estávamos enganados.
O calor fazia-se sentir.
As pernas começavam a acusar o esforço.
E o trail rapidamente deixou de ser uma corrida para passar a ser... uma aventura.
Houve subidas.
Descidas.
Trilhos.
Pedras.
Água.
Muita água.
E, sinceramente... quando apareciam aqueles pequenos riachos, já ninguém pensava em evitar molhar os pés.
Sabia pela vida.

Cada passo dentro da água parecia oferecer alguns segundos de descanso antes da subida seguinte.
Foi um daqueles dias em que percebemos que a natureza também sabe cuidar de quem já vai em esforço.
Pelo meio ainda apareceu um dos momentos mais caricatos de toda a prova.
Foi preciso atravessar um canal de água.
Entrar foi fácil.
Sair... já foi outra conversa.
Lembro-me perfeitamente de ajudar a Andreia e a Francielle a subir.
Quando chegou a minha vez, olhei à volta...
"E eu?" π Ainda hoje não sei se foi falta de braços... ou excesso de confiança deles em mim.
As senhoras já estavam lá em cima.
O Filipe também.

E eu fiquei a pensar que, afinal, a solidariedade tinha um tempo de validade muito curto.
Ainda hoje me rio quando me lembro da cena.
Mas a verdade é que aquele espírito resumiu na perfeição o ambiente vivido durante todo o fim de semana.
Competíamos. Brincávamos. Ríamos uns dos outros.
E, acima de tudo, divertíamo-nos.
Já nos últimos quilómetros, havia outra batalha a acontecer.
Não era pela classificação.
Era entre nós... a Andreia e a Francielle.
Acabámos por passar vários quilómetros praticamente juntos, entre brincadeiras, provocações e muitas gargalhadas.
Naquele momento, já ninguém falava de tempos.
Falava-se apenas em chegar.
E em aproveitar cada metro daquela aventura.
Foi aí que percebi uma coisa.
Os melhores eventos não são aqueles em que fazemos a melhor prestação.
São aqueles em que, anos mais tarde, ainda nos lembramos das pessoas, das conversas e das gargalhadas.
Foi exatamente isso que aconteceu em Águeda.
Cruzamos a meta cansados.
Muito cansados.

Mas com aquela sensação rara de quem sabe que acabou de viver um fim de semana que dificilmente vai esquecer.
E talvez seja esse o verdadeiro sucesso de um evento.
Não é fazer com que as pessoas queiram voltar.
É fazer com que, ainda antes de irem embora... já estejam a pensar no próximo ano.

ππ πππππ ππππππ. ππ πππÓππππ π ππππ.
Quando cruzamos a meta, a prova terminou.
Mas a história ainda estava longe de acabar.
Entre conversas, abraços e muitas gargalhadas, fui percebendo que aquilo que torna o TRICHALLENGE especial não são apenas os quilómetros percorridos.
Nem a bicicleta.
Nem a canoagem.
Nem o trail.
São as pessoas.
Ao longo destes dois dias, fui conhecendo melhor uma organização que trabalha com paixão, uma equipa de voluntários sempre disponível, parceiros que acreditam no projeto e um ambiente onde todos parecem ter o mesmo objetivo.

Quero deixar uma palavra de agradecimento ao Henrique Resende, à Mariza, a toda a equipa da organização, aos voluntários, aos parceiros e aos fotógrafos que ajudaram a transformar este fim de semana numa coleção de memórias que vou guardar durante muitos anos.
Obrigado por me terem recebido sempre com um carinho que dificilmente se esquece.
No final deste fim de semana aconteceu ainda outra coisa que muito me honra. Aceitei o convite para ser embaixador do Mini TRICHALLENGE Kids e do TRICHALLENGE Águeda 2027.
Confesso que não precisei pensar muito.
Não aceitei apenas pela prova.
Aceitei pelas pessoas.
Porque há eventos bem organizados.
E depois há eventos que nos fazem sentir parte deles.
Agora já sei aquilo que me espera.
Ou talvez não.
Conhecendo o Henrique... tenho quase a certeza de que ele já anda a preparar mais alguma surpresa para nos tirar da zona de conforto.
E, sinceramente... espero que sim.
Porque há fins de semana que acabam quando cruzamos a meta.
E há outros que continuam connosco muito depois disso.
O TRICHALLENGE Águeda passou definitivamente a fazer parte desse grupo.
Até 2027, Águeda.

Até breve, amigos.




